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Uso da tecnologia em excesso está comprometendo a atenção das pessoas, resultando em acidentes, redução de produtividade e agravando problemas de saúde mental
Correr para olhar o celular assim que chega uma notificação, sentir a necessidade constante de checar redes sociais ou permanecer com o aparelho ao alcance dos olhos em qualquer situação são exemplos que demonstram como a presença da tecnologia no cotidiano se intensificou nos últimos anos. O celular, antes um simples meio de comunicação, transformou-se em ferramenta indispensável na rotina de grande parte da população, mas essa dependência tem trazido consequências preocupantes, colocando muitas vidas em risco.
“A estimulação contínua gerada por aplicativos, jogos e redes sociais ativa circuitos de recompensa no cérebro, especialmente envolvendo dopamina e serotonina, gerando um ciclo de reforço comparável a um loop químico viciante. Isso compromete a atenção, o controle emocional e o autocontrole, principalmente em crianças e adolescentes em fase de desenvolvimento”, diz a psicóloga Hellen Martins.
Há anos essa preocupação vem sendo levantada por especialistas em segurança, saúde e comportamento, que alertam para os perigos associados à distração provocada pelo uso excessivo do celular. Entre os principais riscos estão acidentes de trânsito, quedas, perda de produtividade no trabalho e até mesmo impactos na saúde emocional. Com diversos casos acontecendo em todo o mundo, o assunto se torna de extrema importância, tendo em vista que coloca a vida de muitos em jogo.
Um dos casos que retratam a seriedade do assunto é o de Carol Oliveira, uma jovem de 22 anos que caiu de um heliponto em Balneário Camboriú enquanto mexia no celular ao lado do irmão, que gravou o momento. O caso, publicado pelo G1, aconteceu em dezembro do ano passado e chocou a comunidade. De acordo com a reportagem, o irmão da vítima disse ao Corpo de Bombeiros que ela fazia vídeos no heliponto do edifício quando perdeu o equilíbrio em um momento de distração.
Não apenas este, mas muitos outros casos acontecem diariamente. Em sua maioria, nem todos resultam em tragédias, mas representam problemas preocupantes para a população, que se vê cada vez mais alienada às redes sociais. Nas ruas, pedestres frequentemente caminham olhando para a tela, desatentos ao tráfego e aos obstáculos. Em muitos casos, essa prática resulta em atropelamentos ou colisões. No trânsito, a situação é ainda mais grave. O uso do celular ao volante é hoje uma das principais causas de acidentes, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal.
“Do ponto de vista emocional, os efeitos mais observados incluem aumento nos quadros de ansiedade, sintomas depressivos, irritabilidade, sensação de vazio e comparação social nociva. Há também prejuízos na qualidade das relações interpessoais e no desenvolvimento da empatia, principalmente entre os mais jovens”, afirma Hellen.
No ambiente profissional, a constante interrupção por notificações prejudica o desempenho e eleva os níveis de estresse. Pesquisas apontam que o trabalhador leva cerca de 20 minutos para retomar a concentração após ser interrompido, e esse tempo perdido reflete diretamente na queda de produtividade, o que pode levar à perda de prazos, conflitos internos e até demissões.
Os efeitos da desatenção digital também se estendem às relações pessoais. O hábito de ignorar quem está por perto para focar na tela, comportamento chamado de phubbing, tem gerado desconforto em ambientes familiares e sociais, fragilizando vínculos afetivos. Além dos impactos físicos e sociais, o uso desenfreado do celular afeta a saúde mental. A exposição prolongada a redes sociais, a busca constante por notificações e a comparação com padrões de vida idealizados podem desencadear ou agravar quadros de ansiedade, insônia e depressão.
A psicóloga Hellen Martins ressalta os efeitos desse uso excessivo. “Do ponto de vista emocional, os efeitos mais observados incluem aumento nos quadros de ansiedade, sintomas depressivos, irritabilidade, sensação de vazio e comparação social nociva. Há também prejuízos na qualidade das relações interpessoais e no desenvolvimento da empatia, principalmente entre os mais jovens”, explicou à reportagem da Folha.
Ela também alerta para o funcionamento cerebral afetado por essa dinâmica. “A estimulação contínua gerada por aplicativos, jogos e redes sociais ativa circuitos de recompensa no cérebro, especialmente envolvendo dopamina e serotonina, gerando um ciclo de reforço comparável a um loop químico viciante. Isso compromete a atenção, o controle emocional e o autocontrole, principalmente em crianças e adolescentes em fase de desenvolvimento”, concluiu.
Diante disso, especialistas recomendam o uso consciente da tecnologia, com pausas regulares, supervisão no caso de crianças e incentivo a atividades fora das telas. A saúde mental, alertam, está diretamente ligada aos hábitos digitais da vida moderna.