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Nos últimos cinco anos, área composta pelo bioma aumentou em uma área superior a mil campos de futebol
Carlópolis, no Norte Pioneiro do Paraná, registrou um crescimento expressivo de vegetação nativa nos últimos anos. Entre 2019 e 2023, o município ganhou 1.163,64 hectares de Mata Atlântica, o equivalente a quase 1,2 mil campos de futebol. O número representa um aumento de 37% na área ocupada pelo bioma, colocando Carlópolis como o município com o maior crescimento proporcional de vegetação nativa em toda a região Sul do Brasil.
Com aproximadamente 17 mil habitantes e localizada às margens da Represa de Chavantes, na divisa com o estado de São Paulo, Carlópolis poderá, até o fim de 2025, superar o volume de mata preservada registrado em 1985, ano em que os dados ambientais passaram a ser catalogados para embasar ações de conservação.
A expansão da cobertura vegetal no município é parte de uma tendência verificada em todo o estado do Paraná. Segundo levantamento do MapBiomas, três em cada quatro municípios paranaenses (300 dos 399) apresentaram saldo positivo na regeneração de vegetação nativa entre 2019 e 2023. O resultado posiciona o Paraná entre os seis estados brasileiros que mais conservaram suas florestas no período, ao lado de São Paulo, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Além de Carlópolis, outros municípios paranaenses também se destacaram em termos de aumento de áreas de Mata Atlântica. Entre eles, Ivatuba (31%), São João do Ivaí (30%), Doutor Camargo (22%), Floresta (20%), Flórida (18%), Ângulo (17%), Lidianópolis (17%), Jardim Alegre (17%), Maringá (16%) e Santo Inácio (16%).
A agente do Núcleo de Inteligência Geográfica e da Informação (NGI) do Instituto Água e Terra (IAT), Iasmin Portela, aponta a eficácia da fiscalização como um dos principais fatores para esse avanço. Entre 2021 e 2024, o número de Autos de Infração Ambiental (AIAs) por crimes contra a flora aumentou 65%, passando de 3.183 para 5.252. O valor total das multas aplicadas subiu de R$ 78,7 milhões para R$ 134 milhões, crescimento de 70%.
O uso da tecnologia tem sido decisivo para aprimorar o trabalho de fiscalização. Os laudos técnicos produzidos pelo NGI, com base em imagens de satélite, ajudam a identificar áreas desmatadas, verificar a legalidade das ações, histórico de infrações, características da vegetação, além de sobreposições com áreas protegidas. Essas informações servem de base para a atuação dos fiscais do IAT.
Paralelamente à regeneração de vegetação, o Paraná também registrou queda significativa nos índices de desmatamento ilegal. Segundo o IAT, com base em dados do MapBiomas, houve redução de 64% na supressão de vegetação nativa apenas em 2024. Entre 2021 e 2024, a queda acumulada foi de 95,2%, com a área desmatada recuando de 6.939 hectares para 329 hectares.
As regionais do IAT com os melhores resultados na redução do desmatamento ilegal foram Francisco Beltrão (queda de 98%), Litoral (97%) e Pato Branco (96%).
Quem realiza desmatamento ilegal está sujeito às penalidades previstas na Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605/98) e no Decreto Federal nº 6.514/08. Os valores arrecadados com as multas são direcionados ao Fundo Estadual do Meio Ambiente, que financia projetos de conservação e recuperação ambiental.
Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 181, canal do Batalhão Ambiental da Polícia Militar, ou pela Ouvidoria do IAT, disponível no portal Fale Conosco e nos escritórios regionais. Informações detalhadas como localização e descrição precisa dos fatos são fundamentais para que as equipes possam apurar com agilidade e eficácia cada caso.