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Fomos presenteados com uma experiência transformadora — um espetáculo raro, com casa cheia, olhares atentos e corações abertos, mesmo que nervosos. Era minha primeira vez num show de stand-up.
Era uma noite fria de domingo. A semana havia sido puxada para mim e para minha esposa Meire, e confesso que fomos ao teatro querendo não ir. Mas ainda bem que fomos. Fomos presenteados com uma experiência transformadora — um espetáculo raro, com casa cheia, olhares atentos e corações abertos, mesmo que nervosos. Era minha primeira vez num show de stand-up.
Recebi o convite do meu amigo e produtor Wesley Bueno (@bozo.oficial_) da @w2.eventos, com quem venho sonhando em trazer espetáculos para Siqueira Campos. Depois, a querida Francielle Macedo, Diretora de Cultura de Santo Antônio da Platina, também reforçou o convite. E foi assim que chegamos à Casa da Cultura para assistir a Nany People.
A noite começou com o carismático Bruninho Mano, num “esquenta” que, além de engraçado, foi didático. Mas quando o nome de Nany People foi anunciado, tudo mudou de tom. O ambiente se transformou. Meire e eu estávamos na primeira fila, e o que vimos ali foi mais que um show de humor. Nany entrou no palco com uma presença arrebatadora — elegante, confiante, num salto alto vertiginoso — e nos ofereceu mais do que risadas: nos ofereceu uma aula de vida.
Entre uma piada e outra, Nany trouxe passagens literárias e filosóficas, exaltou a ancestralidade do teatro, falou de geografia, de ciência, da história da arte. Falou da vida, das lutas, dos sonhos. Mostrou que não se chega aos 60 anos com tanta lucidez, força e humor sem muita estrada, sem muita dor, sem muita coragem.
Confesso: fiquei absorto. Meire, entregue. E mesmo sendo chamado de “Lenhador da Branca de Neve” (e outros mimos hilários), eu estava completamente envolvido pelo conhecimento, carisma e profundidade daquela mulher. Uma artista inquieta, um furacão, um caos harmônico que domina o palco com décadas de intimidade com luz, som e público.
O espetáculo terminou, mas Nany permaneceu. Caminhou entre o público, tirou fotos, autografou livros, conversou com todos — e foi absolutamente generosa. Comprei seu livro Ser Mulher Não É Para Qualquer Um – A Saga Continua, autobiografia escrita por Flávio Queirós e publicada pela Umanos Editora. Na dedicatória, mais carinho. E num abraço sincero, agradeci não apenas pelo show, mas pela lição: viver é um ato de coragem e amor próprio.
Saí de lá absolutamente apaixonado. Por Nany, claro — mas também por essa arte que nos salva. Obrigado, Nany. Obrigado, Bruninho Mano. Obrigado, Wesley. Obrigado, Fran. E obrigado, Meire, por estar comigo nessa noite tão significativa.
A arte é revigorante e necessária.
Merda para vocês.

Flávio Mello é escritor, músico e gestor cultural paulistano, com obra marcada por lirismo urbano, crítica social e escuta sensível. Após um acidente na juventude, encontrou na literatura um caminho de reconstrução e expressão profunda. Estabelecido em Siqueira Campos (PR), transformou a cena cultural local por meio de projetos, festivais e políticas públicas, sendo amplamente reconhecido por seu impacto regional. Sua escrita transita entre o realismo brutal e a poesia do cotidiano, abordando temas como infância, fé, masculinidade e resistência. É membro de academias literárias e segue criando, também na música, com um projeto de doom metal filosófico.